Central de notícias

07/05/2026

Nordeste reforça combate ao desmatamento e se prepara para possível El Niño em 2026

No encontro, foram apresentados dados ao Consórcio Nordeste que apontam redução das queimadas, queda do desmatamento no país e alerta climático para os próximos anos

 

O Ministério do Meio Ambiente apresentou a representantes do Consórcio Nordeste, nesta terça-feira (6), um panorama das ações de prevenção a incêndios florestais, combate ao desmatamento e preparação climática para os próximos anos. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, reuniu informações sobre investimentos, dados recentes de queimadas e projeções climáticas que podem impactar diretamente o semiárido.

 

Nova política do fogo e reforço da estrutura

A Lei 14.944/2024 determina que todos os estados elaborem, em até dois anos, seus Planos de Manejo Integrado do Fogo, instrumento que deverá mapear áreas de risco, vegetação e estratégias de prevenção, com integração ao Sistema Nacional de Informações sobre Fogo.

 

Para 2026, o planejamento federal prevê ampliação da capacidade de combate a incêndios, com 4.410 brigadistas, 240 brigadas operacionais, 19 aviões, 19 helicópteros e nove bases estratégicas. Também estão previstos até R$ 371 milhões em novos projetos voltados à prevenção e resposta a incêndios florestais.

 

Dados de janeiro a abril mostram redução significativa das áreas queimadas no Nordeste, que passaram de 111 mil hectares em 2024 para 69 mil hectares em 2026. A Bahia apresentou uma das maiores reduções no período. Apesar da melhora recente, o histórico ainda preocupa: em 2025, o Nordeste registrou 5,5 milhões de hectares queimados, com destaque para Maranhão, Piauí e Bahia.

 

Desmatamento recua no país, mas cresce na Caatinga

O Brasil registrou queda de 50% no desmatamento em comparação a 2022. Houve redução no Cerrado e na Mata Atlântica, mas aumento de 9,9% na Caatinga. A maior parte da perda de vegetação ocorre em áreas estaduais ou privadas, reforçando o papel dos governos estaduais no enfrentamento do problema.

O Nordeste concentra parcela significativa do desmatamento nacional, respondendo por 57,3% da perda de vegetação no Cerrado e 27,7% na Mata Atlântica. Municípios baianos aparecem entre os que mais desmataram nos últimos levantamentos.

 

Possível El Niño acende alerta climático

Durante a reunião, o professor José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), apresentou projeções indicando sinais de aquecimento incomum no Oceano Pacífico, que podem levar à formação de um novo El Niño entre 2026 e 2027. A previsão aponta transição para o fenômeno a partir de meados de 2026, com probabilidade semelhante de intensidade moderada, forte ou muito forte, sem indicação de um “super El Niño”.

O fenômeno pode influenciar o regime de chuvas no Nordeste, mas ainda é cedo para prever impactos específicos. Pesquisadores destacam que secas no semiárido podem estar associadas tanto ao El Niño quanto ao aquecimento do Atlântico e que desastres climáticos dependem também da vulnerabilidade social, do uso do solo e da exposição das populações.

 

Integração entre clima e combate ao desmatamento

Diante desse cenário, o Governo Federal e os estados apontam como prioridades o fortalecimento da fiscalização ambiental, a ampliação de brigadas estaduais e voluntárias, a aceleração do Cadastro Ambiental Rural e a criação de instrumentos econômicos para desestimular o desmatamento. A estratégia busca preparar o Nordeste para um cenário de maior risco climático, com ações integradas de prevenção, adaptação e proteção dos biomas.

"Nós não podemos só agir reativamente para minimizar efeito, é preciso agir preventivamente. É preciso que nós tenhamos muita clareza da necessidade do desenvolvimento para o Nordeste, mas nós, em momento algum, tratamos do desenvolvimento descolado do cuidado com o meio ambiente. É preciso olhar para os biomas, mas a Caatinga acaba sendo uma forma de subsistência de muitas famílias que, com seu manejo, consegue preservar.", disse o secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas.

Na oportunidade, Gabas entregou o Plano de Transformação Ecológica, lançado em 2025 pelo Consórcio Nordeste

Estiveram presentes secretário-executivo Adjunto, Guilherme Checco; secretário extraordinário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial, André Rodolfo Lima;  secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável; Edel Moraes; diretor do Departamento de Políticas, de Controle do Desmatamento e Incêndios, João Paulo Sotero; e o direto do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, Alexandre Pires. Já o Consórcio Nordeste, estiveram presentes o secretário-executivo, Carlos Gabas; o chefe de gabinete, Glauber Paiva; o secretário de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas, Anselmo Castilho; o secretário de Cidadania e Território, Diego Pessoa;  o secretário de Desenvolvimento Regional, Pedro Lima; e o assessor Internacional, João Cumarú. De Alagoas, estava o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Ygo Costa; da Bahia, estavam o secretário de Meio Ambiente, Eduardo Sodré e a  diretora de Educação Ambiental, Mariana Mascarenhas; do Ceará,  Secretária do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Vilma Freire; da Paraíba, o secretário de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade, Adroílzo Carlos Júnior; de Pernambuco, a secretária-executiva do Meio Ambiente, Helena Saboya e o gerente-geral de Clima, Jacques Rimenboim; do Piauí, a superintendente do Meio Ambiente, Vitória Nascimento; do Rio Grande do Norte, o diretor-geral do IDEMA, Werner Farkatt; e de Sergipe, a  secretária de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas, Ingrid Feitosa.

Contato e Ouvidoria

Entre em contato conosco para tirar dúvidas, fazer reclamações, sugestões ou elogios.
Preencha corretamente o formulário abaixo para que possamos dar um retorno do contato.

Open toolbar